Análise dos movimentos no voleibol






A execução correta dos diversos movimentos do jogador de voleibol em uma partida envolve padrões de movimentos altamente integrados e coordenados, tanto na superfície de jogo quanto fora dela. Portanto, objetiva-se apresentar uma análise cinesiológica das seqüências de movimentos utilizados neste esporte, com recomendações para programas de desenvolvimento de habilidades e condicionamento.

Dentre os padrões específicos de movimentos optou-se pela abordagem das fases de aproximação, salto, ataque e recuperação. Por sua vez, cada uma destas fases consiste de vários outros padrões de movimento integrados com precisão.

As jogadas

Aproximação:

Esta fase inicia-se com o jogador em posição, com um pé a frente do outro, e o corpo em posicionamento ereto, com o peso deslocado para o pé que está adiante. O pé que se encontra colocado à frente no posicionamento é o resultado de um trabalho de um número determinado de passadas de aproximação executadas e da mão a ser usada na cortada, já que o pé oposto à mão a ser utilizada está ligeiramente adiante do outro pé no ponto de impulso do salto. A chave é maximizar a velocidade horizontal da aproximação de modo que a altura vertical máxima possa ser conseguida durante a fase do salto, ao mesmo tempo, que coloca o corpo em posicionamento espacial e temporal favorável para a jogada (2,9).

O pé mais perto da rede deverá ser aquele oposto à mão utilizada na cortada do voleibol. O outro pé, que se encontra em posição distal à rede, então se aproxima em direção ao pé junto à rede para o impulso do salto vertical completando a técnica de aproximação. Quanto mais longa a passada final de aproximação leva à flexão das três articulações dos membros inferiores que, juntamente com a movimentação de braços para baixo e para trás em posição de hiperextendido da articulação do ombro, abaixa o centro de gravidade preparando para o salto vertical. Também ocorre uma ligeira flexão de tronco ao final da aproximação, proporcionando um momento vertical adicional no impulso (2,9).

Salto:

Os jogadores de voleibol utilizam um balanço exagerado dos braços no impulso, quando se movimentam com força para baixo a partir do início do posicionamento hiperextendido e depois para frente e para cima em uma posição de flexão de 180 graus. O movimento inicial para baixo dos braços, aumentará a força exercida para baixo pelo cortador contra o solo durante o impulso, aumentando assim o potencial da força de reação que ele receberá do solo no impulso. A flexão forçada dos braços para cima antes da extensão explosiva dos membros inferiores provoca um momento vertical adicional que aumentará a altura do salto e juntamente com a extensão da cabeça direcionarão melhor o movimento. O desenrolar explosivo e potente das extremidades inferiores através da extensão seqüencial e cronometrada das articulações do quadril, joelho e tornozelo proporcionam, então, o momento vertical necessário para uma altura ótima do salto (2,5).

Ataque:

A fase ofensiva do voleibol consiste de dois padrões de movimentos distintos, geralmente chamados de "gancho-do-martelo" (cocking-the-hammer) e o "golpe" propriamente dito. O gancho-do-martelo refere-se ao posicionamento preparatório do corpo para o golpe na bola de voleibol, onde o braço do cortador que não está atacando permanece acima da cabeça esticando-se em direção à bola, enquanto o tronco gira lateralmente e se estende para trás levando o braço de ataque para trás em posição estendida e abduzida. Durante o posicionamento preparatório do corpo para a cortada, também ocorre a flexão das pernas. Este movimento de pernas parece ser uma reação à extensão do tronco e da cabeça, já que o movimento das partes do corpo de um lado de um eixo de rotação causará um movimento igual e oposto das partes do corpo do outro lado do eixo de rotação quando o corpo fica suspenso no ar (2,5,10).

Além disso, a flexão das pernas durante a fase preparatória aumentará a força da cortada, já que a extensão das pernas durante o golpe na bola aprimorará a flexão e a rotação medial do tronco devido ao mesmo princípio da ação-reação. A cortada propriamente dita da fase ofensiva inicia-se com a extensão para baixo e adução do braço não-atacante e extensão simultânea das pernas. A extensão forçada para baixo e a adução do braço não-atacante são importantes para o começo da rotação medial e flexão do tronco durante a cortada, permitindo ao cortador entrar em contato com a bola no ponto mais alto possível (5,10).

Na verdade, a parte do golpe da cortada na fase de ataque pode ser considerada como um momento seqüencial das partes do corpo, já que o momento acumulado numa parte do corpo é transferido para a seguinte, numa ação de "chicote" ou "carpada". O momento gerado pelo movimento do tronco é transferido para o braço de ataque, antebraço e mão que toca a bola (10).

Recuperação:

Após o toque na bola, o braço de ataque deverá continuar até a extensão total a fim de maximizar a linha de ação de força da cortada. Semelhante ao salto vertical, o jogador deverá tocar o solo com ambos os pés, dissipando a força através das três articulações das extremidades inferiores, já que os músculos do quadril e dos MMII se contraem excentricamente em resposta à ação das forças gravitacionais sobre o corpo. O final da extensão total do braço e o toque no solo em posição controlada deverão colocar o jogador pronto para as demais ações do jogo (2,5).
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