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Jackie celebra 50 anos e a dedicação ao vôlei





Quando deu suas primeiras cortadas na Praia de Copacabana, em frente à Rua Bolivar, aos 9 anos de idade, Jacqueline Louise Cruz Silva queria apenas se divertir e jamais poderia imaginar que o vôlei se transformaria no seu ganha-pão. Muito menos que seria nas areias mundo afora que ela conquistaria fama, respeito e uma enxurrada de títulos. Mas a modalidade lhe deu muito mais do que isso. O vôlei proporcionou a Jackie Silva um estilo de vida. Estilo que garantiu à ex-jogadora chegar aos 50 anos, completados nesta segunda-feira, com a mesma determinação e gana de vencer da menina que, em 1980, com apenas 18 anos, chegava a Moscou para disputar a primeira de suas três Olimpíadas.

De lá pra cá muitas coisas mudaram. As fases se multiplicaram e as transformações foram constantes. Mas a personalidade forte, sua marca registrada, e a paixão pelo vôlei seguem intactas. Longe de aparentar 50 anos, mas bem resolvida com o novo status de cinquentona, ela afirma que o segredo para se manter em forma até hoje é não ficar parada.

vôlei de praia jaqueline silva (Foto: Divulgação)

- São 40 anos de vôlei. É uma história que não acaba e segue me motivando. É uma vida com muita emoção e que me energiza. Eu acho que o segredo é nunca ter parado. Eu corro, faço ginástica e participo de jogos exibições. Mas sem aquela neurose de quando eu era profissional. Quando passo muito tempo sem fazer nada, eu fico logo agoniada. Claro que gostaria de ter menos do que 50, mas estou lidando bem com essa coisa de cinquentona. Não importa a idade, e sim como você se relaciona com ela. Tem muito jovem por aí que é uma mala e vive reclamando de tudo – disse Jackie Silva.

Minha personalidade me atrapalhou um pouco. Cometi alguns erros, mas acho que nem foram tantos. Eu me aborrecia por muito pouco. Se eu jogasse com o físico de antes e com a cabeça de hoje, eu teria tido muito mais facilidade para vencer"
Jackie Silva

Arrependimento, nenhum. Erros, ela carrega alguns na lembrança. Nada que a envergonhe. Porém, reconhece, que, se evitados à época, tudo teria sido mais fácil.

- Minha personalidade me atrapalhou um pouco. Cometi alguns erros, mas acho que nem foram tantos. Eu me aborrecia por muito pouco. Se eu jogasse com o físico de antes e com a cabeça de hoje, eu teria tido muito mais facilidade para vencer. Mas o importante é chegar aos 50 anos com tranquilidade. Esse é o melhor presente que poderia pedir – afirmou Jackie.

A distância entre o primeiro bate-bola ainda criança e os dias de hoje como nova integrante da comissão técnica das equipes brasileiras femininas de vôlei de praia é pequena e separada apenas por um bairro e alguns postos. Já sua trajetória em 40 anos dedicados ao vôlei é extensa e dividida por dois países.

vôlei de praia jaqueline silva (Foto: Divulgação)

Brilho na quadra

O divisor de águas foi o mesmo do primeiro grande desafio: os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Titular da seleção brasileira de quadra à época, a então jogadora do Flamengo foi eleita a melhor levantadora da competição. Apesar do prêmio, Jackie sabia que sua hegemonia nas quadras estava com os dias contados e por isso precisava de um desafio diferente. Por ironia do destino, foi justamente durante as Olimpíadas de 1984 que o interesse pela praia começou.

Foram oito anos morando em Hermosa Beach. Entre os vários títulos "mundiais" conquistados no campeonato que só os americanos jogam, como ela mesma ironiza, Jacqueline foi eleita por uma vez a jogadora mais valiosa dos Estados Unidos antes de regressar ao Brasil em 1993 para jogar com Sandra Pires.

Ao lado da parceira, 11 anos mais jovem e que, entre tapas e beijos, ela elegeu como a melhor de sua vitoriosa carreira, Jackie entrou para a história ao conquistar a primeira medalha de ouro olímpica feminina do Brasil.

- Fui insistente. Eu sempre quis isso na quadra, mas sabia que esse sonho tinha ficado impossível e não esperava mais ser campeã olímpica aos 32 anos. Quando começaram a surgir os primeiros rumores de que o vôlei de praia seria incluído no programa olímpico, meu técnico nos Estados Unidos me convenceu de que eu tinha que participar daquele momento. Foi quando voltei ao Brasil e escolhi a Sandra como parceira. Passamos uma temporada na Califórnia e depois conquistamos o ouro em Atlanta. Nós éramos muito diferentes e brigávamos demais, mas foi ao lado dela que vivi o melhor momento da minha carreira – lembrou Jackie, que parou de jogar profissionalmente aos 44 anos, ao lado de Juliana.

 jaqueline, Jorge Barros, Marco Antonio, Albuquerque e comissão técnica da base do vôlei de praia (Foto:  Divulgação / CBV)

Aposentada há seis temporadas, Jackie abraçou no ato o novo desafio à frente da comissão técnica das seleções feminina de vôlei de praia. Mas, sem papas na língua, reconhece que o material humano com idade para representar o Brasil nos Jogos de 2016 não é dos melhores e que o trabalho até lá será bastante difícil.

- Temos excelentes jogadores de 15 e 16 anos, mas existe uma lacuna muito grande a ser preenchida até os de 20 anos. E é exatamente essa geração que irá representar o Brasil em 2016. Hoje não temos ninguém que possamos apostar para representar o país nos Jogos do Rio. Vamos precisar de muito investimento e depender de muitas coisas para ter sucesso daqui a quatro anos – revelou Jackie, sem esconder um ar de preocupação.

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