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Leia a entrevista com Murilo

Gazeta Esportiva.Net: Na terça, você comemorou em seu twitter a retirada da tipoia que protegia o seu ombro direito. Como vai a recuperação da cirurgia?
Murilo:Vai bem. Completei um mês agora e isso é motivo de comemoração. Poder levantar o braço, me movimentar mais, isso me deixa muito feliz. Estou me recuperando mais rápido que a previsão inicial e agora é seguir um passo de cada vez. Em mais um mês devo começar a musculação e a fisioterapia. Apenas dois meses depois da cirurgia começar a fazer isso, mais rápido que o esperado, é muito bom.
GE.Net: Alguma previsão de retorno às quadras?
Murilo:Agora prefiro dar um passo de cada vez. Mas se seguir nesse ritmo, no quarto mês estou em quadra. Lógico que não vou poder atacar e cortar logo de cara, mas vou poder pegar ritmo treinando passes, manchetes e recepção. Estou muito animado.
GE.Net: Você é jogador de Seleção Brasileira, disputou os últimos Jogos Olímpicos. Mesmo lesionado, você tem recebido sondagem de alguns times?
Murilo:Existe, de alguns times do Brasil e de fora. Mas ainda não decidi nada. A intenção é seguir aqui, já joguei muito tempo fora do país. Me estabeleci no Brasil e quero seguir perto da minha família e da Jaque. É claro que há a possibilidade de eu jogar por algum time de fora, mas ela é mínima.
GE.Net: Desde que saiu do Sesi-SP, o Giovane tem tentado montar um novo time e tem o apoio da prefeitura de Barueri. Desde o começo ele deixou claro que você é um dos jogadores que ele tem na mira caso o projeto se concretize. Vocês já conversaram a respeito, há um acordo apalavrado?
Murilo:Eu sei da intenção dele, mas não combinamos nada. A gente conversou a respeito, ele me disse que gostaria de contar comigo caso conseguisse concluir o projeto. Ele tem o apoio da prefeitura de Barueri, mas ainda procura um patrocinador. A partir daí, ele vai ter a autonomia de trabalhar nas contratações e não tem a obrigação de me procurar, assim como eu não tenho de aceitar uma proposta. Gostei muito de trabalhar com ele, foram quatro anos juntos no Sesi-SP e seria um prazer repetir essa parceria. Mas não há nada certo.

GE.Net: Após a demissão, o Giovane chegou a afirmar que foi pego de surpresa e ficou triste com a saída dele do Sesi-SP. Você também chegou a dizer que estava desamparado. Existe algum ressentimento com o time?
Murilo:Não posso negar que existe. Fiquei triste por tudo que eu passei no Sesi, mas agora é bola para frente e tenho que tocar minha carreira. Já passei por cima disso, tenho uma boa relação com os jogadores e a direção do time. Nessa semana, mesmo, conversei por telefone com o pessoal da diretoria para comentar sobre a recuperação da cirurgia.
GE.Net: Você e a Jaqueline costumam jogar em clubes da mesma cidade ou próximos. Ela está esperando você definir o seu futuro para definir o dela?
Murilo:Olha, a gente já está acostumado a estar próximos. Na verdade, mal-acostumado (risos). Há quatro anos que estamos em São Paulo e gostaríamos de continuar perto um do outro. Foi assim em muitas oportunidades, no Brasil e fora dele. Mas na Itália, mesmo, acabamos ficando um longe do outro, atuando em cidades distantes. Isso, combinado com a distância da família e dos amigos, é muito ruim. Por isso nossa intenção é seguir perto um do outro e permanecer no país.
GE.Net: Recentemente, surgiram rumores de que ela poderia nem atuar neste ano para seguir ao seu lado durante a recuperação...
Murilo:A Jaque está bem convicta do que quer. Ela quer seguir do meu lado, e se for preciso não jogar neste ano para ficarmos juntos, isso vai acontecer. Ainda não temos certeza de nada, tudo vai ser decidido junto. No momento, estamos curtindo as férias juntos, o que não acontecia há um tempo por causa da Seleção. Na próxima semana iremos visitar a família dela em Recife. Depois volto para São Paulo para seguir minha recuperação e só depois uma decisão será tomada.

GE.Net: Sobre a Seleção Brasileira, o Bernardinho está promovendo processo de renovação para o ciclo olímpico do Rio-2016. Mesmo dizendo que ele não conta com você para esta temporada, ele garantiu que você será um dos líderes da equipe no período. Como você reagiu a isso?
Murilo:O Bernardinho foi muito importante na minha decisão de fazer a cirurgia. Conversamos a respeito desde as Olimpíadas. Ele me ligou antes da operação, me desejou sorte. É muito bom saber que ele conta comigo, mas eu não posso me prender a isso. Quero voltar a jogar, jogar bem e merecer a convocação. Aí sim, posso exercer esse papel de líder que ele quer.
GE.Net: Você tem 32 anos. Os Jogos do Rio-2016 vão ser os últimos da sua carreira?
Murilo:Não posso estipular um prazo para encerrar a minha carreira. Eu terei 35 anos, serei um dos mais experientes. Mas o Gustavo está na ativa até hoje, por exemplo. Quero seguir atuando em alto nível o mais longe possível. Quem sabe eu aguente mais uma edição, seria muito bom. Mas prefiro não estabelecer nada.
GE.Net: Você ainda não subiu ao lugar mais alto do pódio nos Jogos Olímpicos. Uma medalha de ouro seria o ideal para deixar a Seleção "por cima"?
Murilo:Eu não digo "por cima" por tudo que eu fiz com a Seleção. São inúmeros títulos da Liga Mundial, dois Campeonatos Mundiais. Nas Olimpíadas, chegamos muito perto em Pequim-2008 e chegamos a tocar na medalha em Londres-2012 .

GE.Net: Depois de dominar a Liga Mundial na última década, a Seleção não ficou com os últimos dois títulos da competição. Nessa sexta ela estreia contra a atual campeã Polônia e tem no grupo adversários difíceis como EUA e Bulgária. Como você analisa o caminho da equipe? Dá para ser campeão?
Murilo:Estrear contra a atual campeã, fora de casa, é muito complicado. Se a Seleção conquistar pelo menos uma vitória nos dois jogos na Polônia, dá pra embalar. Se ganhar confiança, o time pode superar as dificuldades e ir longe, mesmo com esse processo de renovação promovido pelo Bernardinho.
GE.Net: Dá para destacar algum jogador dessa nova geração?
Murilo:O principal deles é o Lucarelli . Como ele já participou de jogos decisivos pela Superliga, ele deve sentir menos a pressão. Além dele tem os meios de rede Isac e Renan. Esse garoto é muito alto, tem 2,17m. Com essa altura nem é preciso muito esforço, mesmo que ele sinta a pressão de vestir a camisa da Seleção.
GE.Net: Além de líder na Seleção, você tem muita moral com os outros jogadores. Principalmente por liderar, junto com seu irmão Gustavo, uma Comissão de Jogadores que reivindica mudanças no vôlei brasileiro junto à CBV. Quais são os principais problemas do esporte no país, hoje?
Murilo:Hoje o calendário é muito curto. A Superliga é disputada em três meses, muitos jogos em poucas semanas. Junto com a CBV, conseguimos aumentar em um mês. Agora, ela vai começa em outubro e termina em abril. Paralelamente, também reivindicamos a Copa Brasil, que deve acontecer. Será um torneio rápido, disputado em um final de semana, com os oito melhores times da primeira fase da Superliga. A ideia é disputá-lo em uma sede não habituada ao vôlei. Temos muitos estados do Nordeste que não têm um time na Superliga. Seria uma oportunidade para a torcida deles. Além disso, cobramos a entrada de mais patrocinadores e negociamos os direitos de imagem e como eles serão repassados. São alguns passos importantes, mas ainda temos muito a fazer pela frente. A presença de muitos jogadores e de técnicos como o Bernardinho e o Zé é fundamental.
GE.Net: Qual a postura da CBV nas reuniões com o grupo?
Murilo:Muito boa, tenho que elogiar. O presidente Ary poderia simplesmente ignorar os jogadores e tomar as decisões que ele quisesse, mas ele está nos recebendo de portas abertas e vem atendendo nossos pedidos e nos ajudando.
GE.Net: Nessa semana o Gustavo anunciou que, além de jogar, seguirá no Comitê Gestor do Canoas (RS). Você pensa em repetir ele e o Giovane e assumir alguma função fora das quadras quando parar?
Murilo: Ainda é muito cedo para pensar nisso. Agora, só penso em jogar. Quero jogar por muito tempo. Depois, é claro que quero seguir no vôlei. Não sei se como técnico, dirigente, ou alguma outra função. Só quero seguir. Mas isso é um assunto para se pensar apenas mais para frente.
GE.Net: Alguma chance de o Gustavo influenciar na sua contratação no Canoas e vocês voltarem a jogar juntos?
Murilo: (Risos) A gente já brincou a respeito. Uma vez nos encontramos e eu perguntei "E aí, dirigente, quando vai me levar?". Mas eu sei da realidade financeira de Canoas. Na última temporada os jogadores receberam pouco e serão recompensados neste ano. É muito difícil que isso aconteça, mas não posso deixar as portas fechadas nunca. Até porque estamos falando do meu irmão.


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