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Bruninho relembra trajetória no palco olímpico




Bruninho na Liga Mundial (Foto: Divulgação/FIVB)


Aquele som emitido pela arquibancada costumava ser destinado apenas aos adversários. Mas em julho de 2007 foi endereçado a um rapaz que vestia a mesma cor de camisa. Aos 21 anos, Bruninho experimentou a desaprovação de parte dos presentes no Maracanãzinho. Uma reação ao corte de Ricardinho, às vésperas do Pan do Rio, que acabou abrindo uma vaga na seleção para o jovem levantador. Ver o filho vaiado é considerado até hoje por Bernardinho um dos momentos mais duros de sua carreira. Mas diz que a serenidade mostrada pelo primogênito diante toda a pressão foi um ensinamento e tanto. Ouvia dele: "Cara, segura e vamos em frente. Você fez o que era certo". Bruninho não esquece o episódio. E nem quer. Encara como uma página importante do seu crescimento como jogador. Aprendeu ali mesmo que é possível transformar vaias em aplausos. E quer que eles se repitam nesta semana, nas finais da Liga Mundial.
- As coisas mudam muito no esporte e na carreira. Ali (no Pan) entendi o lado do público, que queria muito ver o Ricardinho. Procurei não me abalar e fazer meu trabalho. Voltei a fazer jogos lá, aproveitei o público do nosso lado. Não é apagar o que aconteceu, porque aquilo foi importante para o meu amadurecimento, mas procuro me concentrar em coisas positivas quando entro ali e em fazer o melhor. Procuro não pensar muito, então, não vem aquilo. Tive mais momentos positivos do que aquele, conquistei ali três Superligas (duas com o Florianópolis e uma com o Rio de Janeiro) e o ouro naquele Pan. Depois as vaias ficaram para trás e agora é só apoio. O mais importante é a seleção conseguir desempenhar bem seu papel, com todos juntos. É sempre muito bom jogar no Maracanãzinho - disse.

Dono da melhor campanha do Grupo A na fase de classificação, com três derrotas em 12 jogos, o Brasil terá dois grandes adversários no caminho do deca. Estreia contra a França, quarta colocada no Mundial da Polônia, e depois enfrenta os Estados Unidos, que defendem o título da competição. E é no palco dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 que o capitão da equipe e seus companheiros esperam pôr fim a um jejum incômodo. A última vez que estiveram no alto do pódio foi em 2010. Desde então, amargaram três vices (os dois últimos em 2013 e 2014). Querem que o final da história seja bem diferente do de 2008, quando também foram os anfitriões, mas acabaram superados pela Rússia na disputa pelo bronze.

- Com certeza jogar no local onde serão disputadas as Olimpíadas mexe com todos. É importante. Temos um grupo não só de 14, mas de 18 jogadores que possivelmente irão representar o Brasil nos próximos Jogos. Existe uma ansiedade natural, que aumenta quanto mais perto chega. E temos que levar isso sempre pelo lado positivo. Falam da pressão de jogar em casa, mas isso tem que ser bom. Temos que trazer o público com a gente, com a vontade de vencer e determinação que foram as características mais emblemáticas do time nos últimos anos.

Bruninho na Liga Mundial (Foto: Divulgação/FIVB)

Na atual temporada, o Brasil contou com a volta do campeão olímpico Serginho, um dos símbolos do que Bruninho destaca. O líbero pediu e mostrou postura agressiva durante a fase de classificação, marcada pelo intenso rodízio de jogadores. Para o levantador, o ponto alto da seleção até o momento foi o comprometimento.

- Todo mundo querendo muito, se entregando e levando isso para a quadra foi o principal.
Tecnicamente, tivemos muitos momentos positivos no saque, depois de termos oscilado demais no fundamento. Vamos precisar dele e crescer na nossa defesa e na cobertura. Vamos enfrentar dois times com volume de jogo, mas com características diferentes. A França agride mais no saque, conta com meu amigo Ngapeth (seu companheiro no Modena), que vem sendo um dos melhores jogadores do mundo. É difícil jogar contra ele. Já os Estados Unidos são mais agressivos, contam com um bloqueio muito pesado. Estamos com muita determinação e querendo aproveitar o público do nosso lado.  

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