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Para Bernardinho, 'ditadura dos gigantes' no vôlei caiu por terra




 
 

Olhar para o outro lado da rede e encarar atletas com mais de 2,15 m pode ser assustador até para os mais altos. Mas uma coisa é certa: tamanho não ganha jogo. Não mais. Para o técnico da seleção brasileira de vôlei, Bernardinho, caiu por terra a "ditadura dos gigantes", mesmo que a altura seja meio caminho andado para o sucesso.

— Não há mais ditadura dos gigantes. Não vejo mais isso. Jogadores com estatura média têm muito êxito, como o americano Taylor Sander (1,96m), um dos melhores do mundo, e Michal Kubiak, da Polônia, (1,91 m), baixo para sua função — aponta Bernardinho. — Pensou-se, em certo momento, que só um time de gigantes ganharia título.

Segundo o treinador, já se atribuiu êxitos aos russos por causa da altura. Mas ele lembra que não houve domínio da Rússia num ciclo olímpico.

— Não foi um time de gigantes que ganhou tudo em quatro anos seguidos. Nos anos 80, havia um domínio russo, fato. Mas agora não. E nós fomos a seleção mais campeã entre 2001 e 2010, com mais títulos conquistados (oito Ligas Mundiais, três Mundiais, duas Copas do Mundo, ouro em Atenas-2004 e prata em Pequim-2008), e com um time de talentos, não de gigantes.

Bernardinho se refere ao ciclo olímpico de Londres-2012, quando a Rússia ganhou o ouro (contra o Brasil). A seleção não dominou o cenário internacional: foi bronze na Liga Mundial de 2009, prata na edição de 2010, venceu a de 2011 e amargou o oitava lugar em 2012. No Mundial de 2010, foi apenas quinto, mas conquistou a Copa do Mundo em 2011.

Para o treinador, que já declarou não ter hoje uma geração talentosa s na seleção, como as anteriores, o equilíbrio é o mais importante. É preciso ter "peças altas", mas não só. O atual time olímpico tem a maior média de altura desde Tóquio-1964: 1,97m (conforme média dos inscritos para a Liga Mundial, base para Rio-2016). Mas, no Sul-Americano de 2013, chegou a reunir um time com média de 1,99 m, a maior da história.

PIONEIRO

Líder do ranking, o Brasil é apontado como possível medalhista no Rio, ao lado de Rússia, Polônia, Estados Unidos, França e Itália. Curiosamente, a França, campeã europeia e da Liga Mundial de 2015 (tirando o Brasil da fase final), é a mais baixa deste grupo de favoritos (média de 1,87 m).

O ex-levantador Maurício, de 1,84 m, aposta na França para os Jogos. Elogia o "maestro" francês Benjamin Toniutti, que é menor do que ele (1,83m), e lembra, com bom humor, quando subia para o bloqueio e seus companheiros tinham de fazer a cobertura no fundo de quadra. Ele era alvo fácil.

— Batata! Olhava para trás e tinha uns dois estatelados no chão — conta Maurício, que concorda com Bernardinho ao falar que as equipes altas levam vantagem no quesito físico. — Time baixo precisa ter volume de jogo. Para mim, a França é a surpresa dos últimos anos.

Com a chegada do central Paulão, o primeiro em um elenco olímpico com mais de dois metros (2,01m), a média do Brasil chegou a 1,92m para a disputa em Seul-1988.

— Minha altura foi determinante. Não tinha discussão. Qualquer um com 2 metros não escolhia posição, mesmo se gostasse de atacar pelas pontas. Era colocado no meio — lembra Paulão, que conta episódio curioso da seleção campeã olímpica de Barcelona-1992, da qual também fez parte. — Carlão, que era meio, mas mais baixo do que eu (1,96m), revezou na ponta com Marcelo Negrão, que atacava bolas rápidas. Foi uma surpresa essa versatilidade do time. Daí, pedi ao Zé Roberto (técnico à época) para atacar do fundo e acumular mais uma função. Ele disse: "Tu é meio, meio clássico, não inventa".

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