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Lipe lembra medo de lesão e elogia união do time




A voz se perdeu depois daquele bloqueio sobre Zaytsev, que pôs fim ao jogo e fez o Maracanãzinho explodir. Lipe e seus companheiros corriam pela quadra ainda não acreditando no que tinha acontecido. Ele tinha ainda mais motivos para comemorar. Por um momento, na partida de quartas com a Argentina, chegou a temer pelo fim de sua participação na Olimpíada. As costas travaram. A dor foi tão intensa, que sentia dificuldade até para conseguir andar. Pensou que tivesse relação com o problema que tem numa vértebra na região lombar. Após horas de apreensão, confiou nos médicos, voltou ao time na semifinal e foi peça importante para a seleção na reta final.  

- Eu tenho uma lesão grave na L5, e quando tive a contratura no jogo, achei que tinha acontecido alguma coisa na minha vértebra. E naquele momento eu pensei: acabou a Olimpíada para mim. Mas não tinha dúvida do potencial do time, que mesmo com atletas lesionados a gente ia ganhar. Fiquei um pouco triste naquele momento, mas consegui voltar confiando no que os médicos falaram. E jogando bem, principalmente, porque depois de uma lesão geralmente você fica com medo. É muito gratificante ver que consegui esse objetivo na carreira. Estou muito feliz - disse.  

O ponteiro de 32 anos ganhou a condição de titular no jogo de vida ou morte contra a França. Se caísse ali, o Brasil terminaria na nona colocação, igualando a campanha de Cidade do México 1968, a pior da história da modalidade. Bernardinho sentiu que o time precisava de energia, e ele se encaixava no quesito. Os aces também foram de grande valia em momentos difíceis, assim como os ataques.  

- Essa é a minha responsabilidade ali. Fazer a equipe mais aguerrida e mais quente é o meu trabalho dentro dessa seleção. Eu sempre tive consciência disso e que bom que deu certo. 

Lipe elogia também a capacidade de superação do grupo. Quando as duas derrotas seguidas para os EUA e para a Itália deixaram as costas na parede. A possibilidade ser eliminado numa primeira fase, dentro de casa, frustrava os jogadores. Conversas entre eles provocaram o estalo. Para ele, o que não funcionava bem era a cabeça.   

- Quando acabou o jogo da Itália, onde a gente amarrou a corda no pescoço, ali precisamos juntar todo mundo e conversar bastante. E demos uma chacoalhada. A gente brigou um pouco para acender aquela chama que estava quase apagando dentro da gente. Uma coisa que estava frustrando era jogar mal naquele momento, porque sabíamos que tínhamos potencial. E depois de tudo o que a gente treinou e trabalhou, não era possível aquilo que estava acontecendo. Tinha alguma coisa errada. E o errado estava na nossa cabeça, na nossa agressividade. E foi a partir daquele momento que a gente juntou e confiou um no outro, sabendo que a raça e a agressividade iam fazer a diferença. Não largar a bola independentemente de estar jogando bem ou não. E essa motivação de nunca largar o jogo foi o que manteve a gente vivo.

E levou o Brasil ao ouro depois de 12 anos no torneio olímpico. Lipe não sabe dizer o que sentiu quando parou Zaytsev. Só percebeu mesmo o que havia acontecido quando subiu ao pódio.

- No momento ali do bloqueio a emoção não veio. Só na hora do Hino. Eu geralmente não canto o Hino na hora da apresentação dos times. Só canto se a gente for ao pódio. E no momento de cantar lá do alto, numa Olimpíada, foi o mais emocionante. No último ponto eu ainda estava muito focado no jogo. A gente aprendeu com o psicólogo a não antecipar nada. Quando acabou, aquela alegria só veio lá na hora que ouvi o Hino. 

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