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Drussyla se apresenta pela primeira vez à seleção brasileira de vôlei




Drussyla, do Rexona-Sesc Foto: Wander Roberto/Divulgação CBV 

Drussyla. Guarde bem este nome. Inspirado em Drusila, irmã preferida do imperador romano Calígula, a Drussyla brasileira começa hoje uma nova fase na carreira. Atleta do Rexona-Sesc, destaque da fase semifinal e da partida decisiva da Superliga, quando foi campeã e eleita a melhor jogadora, ela chega hoje à seleção brasileira adulta pela primeira vez. A ponteira está inscrita para a Montreux Volley Masters e para a temporada 2017, com José Roberto Guimarães.

— Sinceramente, fiquei surpresa com a convocação. Tenho os pés no chão e não queria me decepcionar. As meninas do time bem que falavam que eu merecia, mas como só fui jogar mesmo nas semifinais da Superliga, achei que o Zé Roberto poderia não me chamar — comenta a jogadora de 20 anos (fará aniversário em 1º de junho), que também se destacou no Mundial de Clubes, quando o time do Rio foi prata.

ESTREIA ENTRE AS MELHORES

Drussyla não se intimidou. Foi a quinta maior pontuadora da competição disputada no Japão (75 pontos), ao lado da oposta ucraniana Rykhliuk Olesi (Volero), um ponto atrás de Tandara (Vôlei Nestlé) e Carceres (Volero). Também ficou entre as 20 melhores na recepção (10º), defesa (17º), bloqueio (17º) e saque (20º), mesmo atuando pela primeira vez em meio às melhores atletas do planeta.

— É outro nível. A bola é mais alta, aqui, na Superliga, o jogo é mais veloz. As jogadoras são grandonas, bem mais altas mas eu não sou de me abater, não! Tenho potência e sou forte. Ia para cima — conta a ponteira, que se encantou com a chinesa Ting Zhu, carrasca do Brasil na Rio-2016, campeã olímpica e mundial com o Vakifbank. — Queria vê-la de perto. Não a vi no Rio. É enorme e coordenada para o fundo de quadra. Uma em um milhão.

Drussyla comenta que agora é hora de aprender. Está ansiosa para trabalhar com Zé Roberto, com quem nunca teve contato. Apesar do desafio na seleção, ela estará em casa. Do Rexona, seis atletas, incluindo ela, foram chamadas. Mas, tem ainda a turma do Mundial sub-23 que, em 2015, foi campeã. Drussyla estava nesse time ao lado de Juma, Naiane, Rosamaria, Saraelen, Paula Borgo e Gabi Souza.

Segundo Zé Roberto, Drussyla, que no ano passado jogou o torneio de Montreux com a seleção B (o Brasil foi 5°), também disputará o Mundial sub-23 deste ano, em setembro, na Eslovênia.

O vôlei de quadra não foi a primeira opção da jogadora, natural de João Pessoa. O pai, Diógenes, de 48 anos, que fazia aula de vôlei de praia nas areias de Botafogo e depois do Flamengo, foi quem a influenciou. Ela o acompanhava e catava as bolas. Depois, aos 9 anos, entrou na escolinha do Fluminense e passou a se dividir entre os estudos e os treinos na areia e na quadra. Com 17 anos, abriu mão da praia.

— Até hoje, o que me relaxa é jogar vôlei de praia. Sempre curti o ambiente ao ar livre, mas preferi a convivência com as meninas da quadra — explica a atacante que também ajudava o pai, carteiro, na entrega dos pacotes e envelopes. — Hoje está bobo, feliz com a nova etapa.

Essa nova fase não se resume a jogar na seleção adulta e chegar a Tóquio-2020 (de preferência ganhando o ouro). Drussyla pensa a curto, médio e longo prazos. Primeiro quer tirar a carteira de motorista (tenta há dois anos), depois terminar a escola (está no primeiro ano do Ensino Médio) e então cursar Odontologia, Engenharia da Computação ou fazer um curso de TI.

Por ora, poderá contar com um professor que fica à disposição no CT de Saquarema, da Confederação Brasileira, para avançar na escola.

— No clube, o primeiro que se colocava à disposição para me tirar as lições do curso à distância era o Bernardinho. Mas, para isso, tenho vergonha — revela a jogadora, que adora o treinador, seu principal incentivador no vôlei. — Ele não é bravo com a gente. Sou grata pelo que fez por mim.

 

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