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Cinto com chip monitora saltos e deixa seleção de vôlei livre de lesões





O saldo desta primeira temporada da seleção brasileira masculina de vôlei, sob novo comando e com o técnico Renan dal Zotto na liderança, vai além de dois ouros (no Sul-americano e na Copa dos Campeões) e uma prata (na Liga Mundial), em três competições disputadas. De acordo com o preparador físico do Brasil, Renato Bacchi, este ano o grupo não contabilizou nenhuma lesão muscular.
E um dos segredos para zerar esta estatística encontra-se escondido embaixo da blusa dos atletas: tal qual o sutiã dos jogadores de futebol, que coleta dados durante a partida para análise de desempenho, os atletas do vôlei tem uma faixa na cintura, como um cinto, com um chip acoplado, que marca a quantidade e a altura dos saltos. O dispositivo, usado inicialmente pelas seleções americanas, feminina e masculina, tem a função de auxiliar a comissão técnica no volume de treinamento.
— Conseguimos calcular a quantidade de saltos que cada atleta costuma fazer em treinos e em jogos. Elaboramos um perfil de cada um, ou seja, o que cada um está acostumado a fazer, sua performance. E no treino, quando ele chega no seu número, eu sei que não posso forçá-lo mais, não vou deixá-lo no bagaço. Antes era mais no escuro, não tínhamos tanta precisão — explica Bacchi, que começou a usar a tecnologia Vert em 2016, no último ano da era Bernardinho. — Em 2017, não tivemos lesões musculares. Ou seja, o Renan teve todos os jogadores à disposição nos treinos e nos jogos. Acertamos na medida.
EM CIMA DOS ATLETAS
O dispositivo funciona assim: toda vez que o jogador saltar, a informação vai para o computador de Bacchi, via Bluetooth. Isso inclui saltos para ataque, bloqueio, saque... para todos os fundamentos. Além da quantidade, o preparador físico também recebe a informação sobre a altura de cada salto, em centímetros. Os levantadores, que saltam praticamente em todas as jogadas, tem as médias quantitativas maiores.
— Em um jogo da Copa dos Campeões, um dos atletas não estava rendendo. E, ao olhar a altura de seus saltos, comparando com seu perfil de treino, vi que ele estava "economizando". Ao conversar com o atleta, ele admitiu que se poupou. Também consigo enxergar, com cruzamento de dados, a qualidade dos saltos — conta Renan, que obedece Bacchi à risca. — Quando chega no limite de saltos do atleta, ele não salta mais. A gente controla nos treinos, quando eles costumam saltar mais, para não desgastá-los.
Bacchi conta que na época da Olimpíada do Rio, em 2016, todos os jogadores apresentaram saltos mais altos, desempenho superior à média pessoal. E que Wallace arrebentou a boca do balão: chegou a saltar 1,04m. Em 2017, todos mantêm a quantidade muito próxima, mas não a altura. Destaque para Lucarelli, o mais regular da seleção, cuja altura média, em jogo ou treino, se manteve em 83cm (o número é o resultado da soma de todos os saltos — desconsiderando os abaixo de 40cm — dividido pelo número total de saltos). A média dele, dos saltos mais altos de cada jogo, foi 96cm.
Em 2017, Wallace foi o que mais saltou em jogos, incluindo a recém disputada Copa do Campeões, no Japão. Foram 108,7 saltos de média por jogo. Sua média de altura em jogo é de 84cm e a média dos saltos mais altos, 91cm.
— Comparamos cada atleta com o melhor dele mesmo e podemos traçar um plano de ação para cada um. E o Renan usa muito essa ferramenta. Por ser uma comissão técnica nova, há mais troca de informação, mais diálogo. Até para encaixar nossa metodologia de trabalho — afirma Bacchi, que está há cinco anos na seleção brasileira.
NÚMEROS:
78,9 saltos - Média de quantidade de saltos dos ponteiros em treino da seleção, em 2017
87,6 saltos - Média de quantidade de saltos dos opostos em treino, em 2017
104,8 saltos - Média de quantidade de saltos dos centrais em treino, em 2017
149,5 saltos - Média de quantidade de saltos dos levantadores em treino, em 2017
153,3 saltos - Média do central Tiago Barth, jogador que mais saltou em treinos da seleção
por Carol Knoploch
O Globo

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