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Bruninho: ‘O Brasil não domina mais o cenário internacional do vôlei como antes’





Bruninho é um dos destaques da seleção brasileira 
 

A seleção brasileira masculina de vôlei, atual campeã olímpica e líder do ranking mundial, não é mais a mesma. Pelo menos em relação a subir ao pódio. É que apesar do protagonismo na Rio-2016, o Brasil que buscará o quarto título mundial (2002, 2006 e 2010) em setembro na Itália e Bulgária não domina mais o cenário mundial. De acordo com o capitão e levantador Bruninho, não se trata de desfalques, como o do ponta Lucarelli, que não recuperou a forma física após cirurgia no tendão de Aquiles, em novembro, e está fora do Mundial. Também não tem relação direta com a mudança na comissão técnica (saída de Bernardinho e chegada de Renan Dal Zotto). O vôlei mudou:
— O Brasil não domina mais o cenário internacional como nos anos 2000. É difícil mas é isso. O Brasil é meta a ser alcançada porque estamos há 15, 20 anos, na liderança do ranking ou no pódio. Mas não dá para vencer tudo. Não existe mais uma única seleção soberana, em um patamar acima, como já tivemos em 2006, por exemplo. Hoje cerca de seis ou sete times estão num mesmo patamar e por isso temos de valorizar qualquer vitória — constata o levantador Bruninho, referindo-se ao time titular que tinha Ricardinho, André Nascimento, Gustavo, André Heller, Giba, Dante e Serginho.
Segundo Bruninho, não é de hoje que o esporte se tornou mais potente e explosivo. Afirma que, de 2010, quando o Brasil venceu o último Mundial, para cá, a lista de equipes favoritas só aumenta. E cita: Estados Unidos, Itália, Rússia, Sérvia, Polônia, França como as grandes forças atuais. Observa, ainda, a evolução de times como o Irã, Canadá, Alemanha e outros.
— Podemos vencer de qualquer time mas também perder para pelo menos uns dez, num dia mais ou menos. O Brasil pode ser campeão mundial ou sétimo colocado e ainda assim o resultado ser coerente — conclui o levantador, que chegou à seleção em 2006. — Desde que entrei na seleção, em 2006, é outro voleibol. Não é melhor nem pior. Mudou. É outro nível. É difícil comparar. Olha a Rússia: sempre teve um time alto, mas este ano, agora, tem uma equipe alta, jovem, explosiva, com volume e defesa. Tá todo mundo melhorando. O equilíbrio é muito grande.
Diz ainda que desde 2016 a responsabilidade aumentou assim como a cobrança, mesmo entre os jogadores. Eles "não aceitam menos do que finais e chegar lá". Por isso, ele gostaria de entrar em quadra e curtir o ofício em mais oportunidades. Não consegue. A obrigação de vencer o incomoda.
AMISTOSOS CONTRA HOLANDA
Do time campeão na Rio-2016, Renan poderá ter nove campeões olímpicos no elenco: além de Bruninho, William, Evandro, Wallace, Lucão, Éder, Maurício Souza, Lipe e Douglas (este último é dúvida). E mesmo assim, segundo Lipe, o Brasil não é o time mais forte. O ponteiro, que não atuou na Liga das Nações, última competição, em que o Brasil foi quarto lugar, concorda com Bruninho:
— O Brasil continua no mesmo nível da última Olimpíada. Mas isso não quer dizer ser a melhor. Está no mesmo patamar com outras sete seleções . É preciso ter plena consciência disso. O vôlei mudou muito, os atletas cresceram muito. A Champions League, por exemplo, é extremamente forte. Há ligas importantes em vários países, como Rússia, Japão, Polônia, Itália. É mais difícil se manter lá em cima — diz Lipe, que observa que de 2016 para cá, o vôlei brasileiro se manteve no topo, mas não é imbatível.
Nesses dois anos, o Brasil foi vice campeão da Liga Mundial, quarto colocado na Liga das Nações, ganhou a Copa dos Campeões e o Sul-americano. Em 2014, na última edição do Mundial, o Brasil foi prata e perdeu a decisão para a Polônia, por 3 a 1 (18/25, 25/22, 25/23 e 25/22), em Katowice.
Esta partida está "engasgada", segundo Wallace. O Brasil vencia o jogo por 1 a 0 e brigou nos sets seguintes, ponto a ponto, diante de uma torcida fanática. O time, na época orientado por Bernardinho, só havia perdido uma partida na competição justamente para a Polônia, por 3 a 2. De 13 jogos, o Brasil venceu 11. Lucarelli foi peça importantíssima mas a defesa polonesa não deixava a bola cair (a derrota impediu um inédito tetracampeonato mundial consecutivo, entre os homens nos esportes coletivos do programa dos Jogos Olímpicos de verão).
Para ele, a chegada do Lipe dá musculatura ao time, que sofreu na Liga das Nações. Ainda assim, a ponta, sem Lucarelli, tornou-se o tendão de Aquiles do Brasil. Desfalcado nesta posição, Wallace tende a ser mais acionado no ataque, facilitando a marcação rival. Mas ele aponta ainda o maior tempo de treinamento como fator positivo para o próximo desafio.
— Conseguimos dar uma cara de novo ao grupo. Por isso, acredito que no Mundial estaremos muito bem. Tivemos uma preparação adequada, diferentemente do que aconteceu na Liga das Nações. Mas claro que os rivais também. E isso é bom. Vamos disputar um Mundial com o nível lá em cima. Não gosto quando as equipes estão aquém de seus potenciais. Não tem graça. Eu quero jogar com os melhores caras, com os times bem preparados, e ganhar nestas condições, quando a disputa é de força real — fala Wallace.
O Brasil que se prepara para o Mundial fará três amistosos a partir de sábado (às 21h45, em Brasília) contra a Holanda. Os outros confrontos acontecerão na segunda-feira, às 21h30, em Manaus, e na quarta-feira seguinte, às 19h, em Belém (todos terão transmissão do canal Sportv). O Campeonato Mundial será disputado de 9 a 30 de setembro, entre Itália e Bulgária.
— Chegamos bem para estes amistosos e chegaremos melhores ainda no Mundial. Acho que chegaremos voando, na melhor forma possível. Mas, o cenário do vôlei internacional é totalmente nivelado, com partidas são decididas em detalhes mesmo. Por isso, o que temos de fazer é nos preocupar com a gente mesmo. O foco tem de ser no nosso time — diz Maurício Souza.

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