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Geração do vôlei de Montreal se reencontra no Rio




Veteranos da geração do vôlei de Montreal recebem camisa em homenagem aos 42 anos da disputa (Foto: Divulgação/CBV)

Em um restaurante no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, um grupo de amigos se reúne após 42 anos do início de uma era. A equipe de vôlei que disputou os Jogos Olímpicos de Montreal-1976 se uniu nesta quarta-feira para relembrar boas histórias. Dos 12 ex-jogadores, nove estiveram presentes. Ausentes apenas José Roberto Guimarães, que está com a Seleção Brasileira, William Carvalho e o saudoso Bebeto de Freitas.

O evento foi organizado por Celso Kalache, que agora mora nos Estados Unidos, e, como vinha ao Brasil, organizou o encontro entre os amigos de Seleção. Esta é a primeira vez que a turma se reúne quase completa. Bernard, também parte desta geração e medalhista olímpico em 1984, falou sobre o encontro:

— Nós reunidos aqui somos os dinossauros do voleibol. Essa geração foi muito inspiradora para tudo que acontece até os dias de hoje. Eu tive três Olimpíadas: Montreal, Moscou e Los Angeles, quando fomos medalhistas. Para mim, é uma honra muito grande não só de rever os grandes amigos, mas de ser o gatinho da turma. Eu já fui gatinho, o mais jovem da turma, mas o tempo passa para todos e a gente soube aproveitar da melhor forma — contou, em meio a brincadeiras.

Sobre o almoço, o campeão olímpico definiu como "fantástico":

— É uma confraternização fantástica, com o apoio da confederação. Acho maravilhoso esse aspecto de poder servir de exemplo para os outros. Uma olimpíada é fundamental para quem assiste, para quem é atleta tem um valor muito maior , mas para quem é medalhista olímpico, aí você viram parte da história e entra para os anais do esporte mundial. — completou.

Nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976, a Seleção Brasileira não subiu no pódio. Ficou em sétimo lugar, mas a colocação foi importante para as gerações seguintes. Esta foi a última vez que o vôlei brasileiro disputou os jogos sem ser uma equipe profissionalizada. Os atletas contaram, durante o almoço que muitos deles trabalhavam ou estudavam. Treinavam apenas nos fins de semana e era complicado conciliar os horários.

— Eu tenho muito carinho por esse grupo. Na época eram garotos e a gente tinha muita vontade de ganhar, mas não dava pois nós treinávamos muito menos do que a elite do voleibol mundial à época — conta Carlos Souto, técnico da Seleção na época — A partir daí chegou a profissionalização, com a Atlântica Boavista, no Rio, e a Pirelli, em São Paulo. Então, os jogadores passaram a ter dedicação exclusiva. Com isso, nós eliminamos a diferença que tinha da elite mundial. — completou Souto.

Quem também relembrou as dificuldades das Olimpíadas de Montreal foi o campeão olímpico Fernandão. O atleta valorizou a importância do almoço e reunião dos amigos, mas lembrou das diferenças do período antes da profissionalização:

— É muito bom rever os amigos, né. Era uma época muito amadora, nós trabalhávamos, estudávamos, jogávamos, treinávamos. Mas as estrutura era falhar, pequena amadora. Nessa época, quando íamos disputar um campeonato mundial, uma olimpíada, íamos para disputar, não para disputar medalha. Só depois de 1980 que o Brasil começou mesmo a disputar medalha, que conseguiu em 1984. Esse grupo aqui representa muito, né. Nós éramos muito garotos, eu e Bernard éramos os mais novos do grupo, jogando uma olimpíada pela primeira vez. Era inexplicável — declarou.
O encontro teve a presença de: Antônio Carlos Moreno, Alexandre Abeid, Bernard Rajzman, Celso Kalache, Eloi de Oliveira, Fernando de Ávila (Fernandão), Jean Luc Rosat (Suíço), Paulo Petrelle, Sérgio Danilas, e o técnico Carlos Souto. A Confederação Brasileira de Vôlei foi representada pelo CEO Radamés Lattari, que entregou camisas personalizadas para os ex-atletas. Bebeto de Freitas foi lembrado na homenagem. A entrega aconteceu logo após os brindes. À cada brinde feito, um pedido: "pelos próximos 42 anos"; "pelos que não estão presentes", pediram e completaram com "para que nossas esposas não fiquem viúvas", brincaram. Organizador do almoço, Kalache falou sobre a alegria de reunir os amigos depois de tantos anos. Contou também que quer criar uma cultura de valorização dos ex-atletas:

— Aproveitei minha vinda ao Brasil para organizar e encontrar os amigos. Criar, talvez, essa cultura de dar valor àqueles que já jogaram. Nós, brasileiros, temos um defeito que é o de ter uma memória muito curta. Os atletas que não estão mais jogando não são lembrados e, às vezes, os que estão jogando não tem essa bagagem histórica. — contou, antes de completar:

— Daí, surgiu a oportunidade e eu fui falar com eles e toparam na hora. Infelizmente, não deu para virem todos, por motivos de força maior, mas, de qualquer maneira, acho que essa homenagem que a Confederação fez de entregar as camisas, foi muito maneiro e oficializou o nosso encontro, que seria uma coisa informal.

Durante o almoço, os ex-atletas deram muitas risadas e contaram histórias, caçoaram um dos outros e reviveram bons momentos. Kalash falou também sobre as boas lembranças que o reencontro trás:

— Das boas lembranças, a melhor é que tudo feito por amor. Nós vencemos muitas dificuldades. Uns tinham que trabalhar, outros que estudar, mas nós fazíamos realmente no amor pelo esporte e pelo convívio do grupo. Acho isso importante, pois vai perdurar pelo resto da vida — contou.

Com experiência de sobra, no esporte e na vida, Fernandão deixou um conselho para quem quer seguir no vôlei:

— Hoje no voleibol tem que treinar desde muito cedo, tem que se dedicar muito. Quem estiver afim de tentar uma vaga profissional, tem que se dedicar muito, achar um clube que tenha uma estrutura boa, não pode parar de estudar, pois nada indica que você será um jogador top. Tem que ir estudando e treinando, estudando e treinando e ser muito disciplinado. A garotada quer sair, se divertir e pode fazer isso, mas o foco deve ser no esporte — declarou.

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