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Douglas Souza: da bronquite à Olimpíada







Quando tinha oito anos, Douglas Souza era daqueles garotos que não gostava muito de sair de casa, no Jardim Santa Rita de Cássia, em Santa Bárbara d'Oeste. Preferia passar horas na frente de um videogame ou assistindo desenhos animados na TV. Foi nessa idade que ele teve sua primeira crise de bronquite. Os remédios não surtiram muito efeito. Até que veio a recomendação médica que viria a mudar a sua vida: Douglas foi orientado a praticar exercícios físicos.

Tentou jogar futebol. Até ganhou uma bola de seu tio. Lutou capoeira, praticou ginástica artística, correu… E nada pareceu conquistar o garoto. O esporte parecia mero tratamento para melhorar a saúde. Como era o aluno mais alto de sua turma, Douglas conheceu o vôlei, por indicação de uma professora. Não parou mais.

Hoje, com 20 anos e 1,99 metro de altura, está confirmado nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Será o mais jovem do grupo de Bernardinho na luta pelo tricampeonato olímpico. Mais que isso: com a inesperada ausência do nadador César Cielo, é o único atleta da RPT (Região do Polo Têxtil) garantido em competições no maior evento esportivo do planeta neste ano – o ginasta Lucas Bittencourt, de Nova Odessa, será reserva da seleção na modalidade e também pode ser acionado.

"Tudo aconteceu muito rápido comigo. Com 11 anos, comecei a jogar vôlei por Santa Bárbara. Joguei até os 14 anos aqui, depois fiz um teste no Pinheiros, onde fiquei até os 17 anos. Fui para o São Bernardo, onde joguei minha primeira Superliga, e logo em seguida fui para o Sesi, onde estou até hoje", resume o barbarense, que ainda vive a euforia por sua confirmação nos Jogos Olímpicos.

Douglas foi convocado pela primeira vez para a seleção principal só em 2015, quando disputou os Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. Neste ano, seu nome apareceu na pré-convocação de Bernardinho para o Rio, mas ciente de que haveriam três cortes após a Liga Mundial. "Durante o Pan muitas pessoas me perguntavam se eu achava que tinha chances de ir para a Olimpíada. Eu falava para irmos com calma, estava muito cedo, eu era muito novo", recorda.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal  Barbarense conheceu o vôlei por indicação de uma professora, após recomendação médica para tratamento de bronquite

Domingo passado, na Polônia, o Brasil perdeu para a Sérvia por 3 sets a 0 e ficou com o vice-campeonato. No mesmo dia, no hotel, a comissão técnica se reuniu. Foram horas de apreensão e expectativa. Duas da manhã, madrugada de segunda-feira, e Bernardinho chama o grupo para uma reunião. Foi neste momento que comunicou os cortes do ponteiro Murilo, do central Isac e do líbero Thiago Brendle. Douglas Souza, enfim, estava oficialmente confirmado como um dos ponteiros do Brasil para a Olimpíada.

Em pouco mais de um ano na seleção principal, Douglas conquistou a confiança de um dos técnicos com mais fama de "durões" do Brasil. Mas o barbarense faz questão de minimizar os rótulos dados a Bernardinho. "O Bernardinho é sempre muito atencioso com os mais novos. Meu primeiro contato com ele foi quando eu ainda estava na seleção juvenil. Tudo se intensificou no ano passado quando fui para o Pan. Ele é um cara muito tranquilo. Tudo que a gente vê dentro da quadra é do trabalho dele. Ele grita, ele berra, é lógico que fica nervoso. Mas fora da quadra ele é muito atencioso, ele ajuda cada atleta ao máximo", frisa.

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